odes mínimas


moço

tem pessoas que a gente encontra e logo dá vontade
de falar: "-vamos"?
de impressionante capacidade iluminativa.
faz sempre sol perto delas.
quando está por perto, desencadeia uma incontrolável vontade rir.
ele é assim.
o sul, a sorte, a estrada me seduz...
mas é sempre muito mais divertido o caminho, quando ele está por perto.
estranha paz.
bem-vindo, então...
 


Escrito por marina de castro às 17h53
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Albuquerque...

quando você vem, eu não preciso esperar por algo que me habite.
quando você vem, é como se eu pisasse em estrelas...
caio num esquecimento amassado de mim, pra virar nós duas...
falo um bocado de bobagem, imperfeita que sou.

mas você perdoa...

quando você vem, é feito comer um pote inteiro de doce...
cheiro de vinho e risada.
quando você vem, tenho alucinações de compreensão...
e eu penso tão livre....
e então, quando você vai embora, inevitavelmente,
leva um tanto de mim...



Escrito por marina de castro às 16h17
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outro dia, li em algum lugar a seguinte frase:

"não consigo ir embora de mim a pe".

e comecei a pensar sobre isso. recordei o fim de semana recente.

e como depois dele, tudo ficou mais frio.

é quando seu próprio teto não te abriga.

sua própria cama, não te cabe.

e então tem início aquela viagem aflita pra dentro de si.

não fiz pactos de vínculos pela vida afora.

eles simplesmente aconteceram.

o sentimento é terra estrangeira. a gente não se apropria dele.

o contrário acontece na-tu-ral-men-te.

e penso em você vestida com aquela sua blusa verde, uma taça de vinho na mão

e bastava eu te olhar pra você adivinhar o que eu tinha na cabeça. minha próxima

palavra.

riso sem freio.

um punhado de encanto, nas entrelinhas do sotaque que me faz falta.

e eu não consigo ir embora de mim a pé.



Escrito por marina de castro às 21h06
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dia-a-dia.

cotidiano.

rotina.

todososdias...

quer dizer a mesma coisa.

e você tem tornado isso tudo mais divertido.

temperando com boas pitadas de diferença.

meu tempo.

a qualidade do meu tempo quando estou com você.

vinho. nariz torcido. cócegas. pirracinhas. filmes. sono.

cervejas. futebol. ficar de mal e fazer as pazes...

guardo cuidadosamente minhas pernas no meio das suas.

durmo o sono dos justos e anseio pelo dia de amanhã.



Escrito por marina de castro às 19h15
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Definitivamente, ela não continuará assim.

Não é pra sempre esta estética de rosto apoiado em uma das mãos...

Querendo ser feliz de mentirinha...

Todos temos nosso tempo de fascínio pela dor, mas definitivamente,

Ela não continuará assim.

Nem sempre faz bem lembrar só pra continuar sendo...

Aborrecimento e culpa nos acompanha só até que amadureça.

Ou que amanheça? Prefiro.

Essas chaves garantem a posse de quem?

Ela vai devolver...

Porque ela sabe.

As sombras são.

Assombração.

Então, ela vai dar a volta nas chaves e seja para o lado que for.

Tem um velho ditado que diz: Preencha suas lacunas com você mesmo. Não com o outro.

É preciso reconhecer um abismo ao invés de saltá-lo.

Ninguém entende as suas viagens, mas na verdade, isso não importa...

Porque ela nem tem lugar fixo nesse mundo...

Quem é que tem?

Ela vai entender que vontades passam.

Todo mundo fica emburrado quando a roupa não cai bem.

Quando engasga com a fumaça do cigarro...

Quando acorda de ressaca...

Quando não conhece o homem sem roupa bem em cima da sua cama.

Heranças dos ontens...

Por favor, me passa o guardanapo?

Definitivamente, ela não continuará assim.

 



Escrito por marina de castro às 17h08
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Nem sempre é possível deixar a saudade em repouso.

Me sinto sem sapatos nessa cidade fria.

Mas é possível conviver com as esperas...

Difícil é ter na ponta da língua, um ritual de despedida.

Mas o mar não acaba nunca... E sei que ainda tem um mundaréu de água pra correr.

Nem sempre as pessoas e as coisas estão ali, do outro lado da rua.

Mas onde é que eu estou?

O que é que tem pra mim?

Porque eu estou morando aqui?

Eu me penduro na gangorra onde me sinto interrompida, machucada... e às vezes tomo um gole de fôlego e sigo em linha reta, sem o menor interesse de olhar pra trás.

De manhã eu me decido, de noite, eu pifo.

Providencial...

Me distribuir pelo seu corpo, nunca é uma ação frustrada.

Seu gosto me comunica que estou intacta. E me entrego à você de propósito, acertivamente...

A coisa muda de figura e você derrama de mim. Calmamente.

Você é a minha garantia de alegria pós-carnavalesca...

Mas sentimento e pensamento são coisas itinerantes, por vezes.

Quando você não está por perto, eu tenho medo do escuro.

Quando você não está por perto, eu otimizo as minhas saudades...

Quando você não está perto, eu tento cantar pra me fazer dormir...

Mas, quando você chega, eu não crio besteira de chorar...e eu ignoro esse cheiro de são paulo...



Escrito por marina de castro às 16h09
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miguel.

danço uma dança comprida em cima da sua barriga.

dou uma lambidinha no seu umbigo, sorrio e durmo o sono dos justos.



Escrito por marina de castro às 23h21
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os pensamentos se desorganizam
por causa dos desejos...
tiro tudo do lugar.
a vida ensina, mas nem sempre aprendo.
tá tudo certo quando tá tudo instável.
não danço conforme a música.
às vezes sinto que é ela quem me dança.
aperto o passo e vejo a paisagem de sempre.
sempre.não... nem sempre.
alguma coisa aconteceu.
eu pude ver e quase cheirar.
mas preciso mais.
mais. um colorido novo.
e os desejos rebolando no que eu quero que aconteça.



Escrito por marina de castro às 23h19
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ele. o dos cabelos côr de mel...

engraçado como temos que prever tempo, em nosso dia-a-dia, pra coisas básicas, como comer, dormir…
mas é que agora, eu tenho mais o que fazer!
sim. a lista das coisas acima, fazem parte e nos são absolutamente necessárias.
mas, necessário pra mim, no momento, é estar com ele.
ele: que tem os cabelos da mesma cor dos olhos.
ele: que me faz rir à toa. sonhar acordada.
a coisa tá acontecendo. e não sobrevivo ao meu dia com qualidade,
se ele não passa alguns minutos comigo.
coisa de paixão recente? não sei. o tempo não é metido à dar respostas?
pois que ele responda. e que a derradeira coincida com o que sinto agora. porque é bom. é bom e eu desejo que dure.
eu não me contenho.
estou gritando minha felicidade aos sete ventos...

Escrito por marina de castro às 19h55
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mas seus olhos castanhos. é, lygia...

tempo, tempo, tempo...
é o senhor das horas, e às vezes tenta
em vão, ser também o senhor dos sentimentos.
do que eu sei, é que se estivesse por perto agora,
decerto eu beijaria seu ombro.
porque com o tempo, nem tudo se desfaz...
não preciso mais que o espaço de uma piscada pra
puxar da memória seu sorriso, o meu, o meu e o seu
confundidos nalguma besteira que já falamos juntas.
nalguma bebida que destilou a gente...
amigas. e isso é fato.
pra todo sempre, consumado.
com ou sem amém.

Escrito por marina de castro às 14h40
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ele e eu, augustamente...

por entre as cortinas da minha janela,
vejo você, vezenquando...
com toda dança que lhe podia ser cabida.
presença de indiscutível leveza.
pratico todo meu apego... e curto a culpa saborosa
de lhe querer muito e muito bem.
agora mais perto. porque é bem assim, quando se está longe.
seguro firme na barra da sua calça.
ou me diluo, disfarçadamente, entre as crinas do seu arco.
e nada disso acontece por acaso.
então, te escrevo.

Escrito por marina de castro às 13h54
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a poética do desassossego.
não a do Pessoa.
mas a instituída em mim.
um auto-debocheche na tentativa
de inibir uma iminente impotência.
estou chovendo.
e tremendo de frio.
essa minha incapacidade de trocar
de amor toda semana...

Escrito por marina de castro às 19h33
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é inútil pensar que se sai ileso de uma
própria escolha.
das escolhas dos outros, por vezes, até
acontece da gente se safar. mas das nossas,
não tem coré-coré.
eu sinto como se estivesse vazando de dentro
de mim mesma.
acho que estou rindo ao contrário.
urge fazer uma pausa pro cigarro.
numa tentativa de não-pensar...
não-estar...

Escrito por marina de castro às 18h39
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lembrei de um livro que li há algum tempo:
"Os sentidos da Paixão".
na verdade, é uma série de ensaios sobre o assunto.
apaixonar-se é como se manter em estado de reserva.
para algo ou alguém.
deve ser por isso que quando dá errado, frustra-nos.
é como se a gente se mantivesse naquele estado de reserva
pra nada.
hoje me atormenta uma "mea culpa"...

Escrito por marina de castro às 18h26
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...eu continuo cada vez mais confirmando o que me ensinaram certas situações que melhor e mais originariamente me fizeram me desencantar com os homens: essa espécie não presta. obrigada, meu deus, pela minha não grata esperteza!quero e ambiciono um dia a coragem de plantar arrozes. já crio gatas, o que é um imenso avanço. um dia serei sábia ao ponto de ser muda.

Escrito por marina de castro às 16h34
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