Nem sempre é possível deixar a saudade em repouso. Me sinto sem sapatos nessa cidade fria. Mas é possível conviver com as esperas... Difícil é ter na ponta da língua, um ritual de despedida. Mas o mar não acaba nunca... E sei que ainda tem um mundaréu de água pra correr. Nem sempre as pessoas e as coisas estão ali, do outro lado da rua. Mas onde é que eu estou? O que é que tem pra mim? Porque eu estou morando aqui? Eu me penduro na gangorra onde me sinto interrompida, machucada... e às vezes tomo um gole de fôlego e sigo em linha reta, sem o menor interesse de olhar pra trás. De manhã eu me decido, de noite, eu pifo. Providencial... Me distribuir pelo seu corpo, nunca é uma ação frustrada. Seu gosto me comunica que estou intacta. E me entrego à você de propósito, acertivamente... A coisa muda de figura e você derrama de mim. Calmamente. Você é a minha garantia de alegria pós-carnavalesca... Mas sentimento e pensamento são coisas itinerantes, por vezes. Quando você não está por perto, eu tenho medo do escuro. Quando você não está por perto, eu otimizo as minhas saudades... Quando você não está perto, eu tento cantar pra me fazer dormir... Mas, quando você chega, eu não crio besteira de chorar...e eu ignoro esse cheiro de são paulo...
Escrito por marina de castro às 16h09
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