outro dia, li em algum lugar a seguinte frase: "não consigo ir embora de mim a pe". e comecei a pensar sobre isso. recordei o fim de semana recente. e como depois dele, tudo ficou mais frio. é quando seu próprio teto não te abriga. sua própria cama, não te cabe. e então tem início aquela viagem aflita pra dentro de si. não fiz pactos de vínculos pela vida afora. eles simplesmente aconteceram. o sentimento é terra estrangeira. a gente não se apropria dele. o contrário acontece na-tu-ral-men-te. e penso em você vestida com aquela sua blusa verde, uma taça de vinho na mão e bastava eu te olhar pra você adivinhar o que eu tinha na cabeça. minha próxima palavra. riso sem freio. um punhado de encanto, nas entrelinhas do sotaque que me faz falta. e eu não consigo ir embora de mim a pé.
Escrito por marina de castro às 21h06
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