odes mínimas


outro dia, li em algum lugar a seguinte frase:

"não consigo ir embora de mim a pe".

e comecei a pensar sobre isso. recordei o fim de semana recente.

e como depois dele, tudo ficou mais frio.

é quando seu próprio teto não te abriga.

sua própria cama, não te cabe.

e então tem início aquela viagem aflita pra dentro de si.

não fiz pactos de vínculos pela vida afora.

eles simplesmente aconteceram.

o sentimento é terra estrangeira. a gente não se apropria dele.

o contrário acontece na-tu-ral-men-te.

e penso em você vestida com aquela sua blusa verde, uma taça de vinho na mão

e bastava eu te olhar pra você adivinhar o que eu tinha na cabeça. minha próxima

palavra.

riso sem freio.

um punhado de encanto, nas entrelinhas do sotaque que me faz falta.

e eu não consigo ir embora de mim a pé.



Escrito por marina de castro às 21h06
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dia-a-dia.

cotidiano.

rotina.

todososdias...

quer dizer a mesma coisa.

e você tem tornado isso tudo mais divertido.

temperando com boas pitadas de diferença.

meu tempo.

a qualidade do meu tempo quando estou com você.

vinho. nariz torcido. cócegas. pirracinhas. filmes. sono.

cervejas. futebol. ficar de mal e fazer as pazes...

guardo cuidadosamente minhas pernas no meio das suas.

durmo o sono dos justos e anseio pelo dia de amanhã.



Escrito por marina de castro às 19h15
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